"Vim de Minas Gerais para dançar no MoviRio": trajetórias de bailarinos que o festival transformou
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"Vim de Minas Gerais para dançar no MoviRio": trajetórias de bailarinos que o festival transformou

18 de agosto de 2025·MoviRio Festival
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Mais de 600 bailarinos viajam de outros estados para participar do MoviRio. Conheça histórias de artistas que cruzaram o Brasil para dançar em um dos maiores festivais de dança do país — e o que essa experiência significou em suas vidas.

"Vim de Minas Gerais para dançar no MoviRio": trajetórias de bailarinos que o festival transformou

Oito horas de ônibus de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro. Doze horas saindo de Fortaleza. Quatorze horas partindo de Porto Alegre. Esses são os percursos que centenas de bailarinos fazem, edição após edição, para chegar ao MoviRio Festival de Dança. Não é obrigação — é escolha. E escolhas feitas com tanto esforço revelam algo profundo sobre o que o festival significa para quem participa.

Na 9ª edição do MoviRio, mais de 600 artistas de fora do Rio de Janeiro estão inscritos, representando 8 estados: Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e Ceará. São mais de 2 mil bailarinos no total, distribuídos em 522 coreografias — um universo de histórias, trajetórias e sonhos que o festival tem o privilégio de acolher.

Por que viajar para dançar no MoviRio

A pergunta parece óbvia — mas a resposta revela muito. O Brasil tem vários festivais de dança espalhados pelo país. Por que tantos bailarinos escolhem o MoviRio especificamente?

A resposta está na reputação. O MoviRio construiu, ao longo de suas edições, uma credibilidade que vai além do tamanho ou do número de inscritos. Trata-se de um festival que trata os bailarinos com respeito, que oferece estrutura adequada, que tem júri qualificado, que gera visibilidade real — e que acontece no Rio de Janeiro, cidade que ainda carrega um magnetismo cultural incomparável no imaginário dos artistas brasileiros.

Em 2019, quando a SECEC-RJ declarou agosto o Mês da Dança no Estado do Rio e a imprensa começou a identificar o MoviRio como um dos maiores festivais de dança da América Latina, essa reputação chegou ao interior do Brasil. Às academias de cidades médias de Minas Gerais. Às escolas de dança do Nordeste. Às turmas de ballet do Rio Grande do Sul.

Escolas de todo o Brasil, um palco no Centro do Rio

O festival não impacta apenas os bailarinos que vêm ao Rio — impacta também os professores que os prepararam, as famílias que os apoiaram, as comunidades que orgulhosamente acompanham sua trajetória.

Cada escola que inscreve um aluno no MoviRio passa por um processo de preparação que em si já tem valor formativo. Escolher a coreografia, ensaiar nos meses anteriores ao festival, viajar em grupo, dividir a experiência com colegas — tudo isso forma o bailarino antes mesmo de ele pisar no palco.

Histórias que o MoviRio carrega

Embora cada trajetória seja única, alguns padrões se repetem nas histórias de bailarinos que vieram de outros estados. Há os que vieram pela primeira vez como competidores, ficaram apaixonados pelo festival e voltaram nas edições seguintes. Há os que descobriram no MoviRio modalidades que não conheciam. Há os que conquistaram o Prêmio NOC — Novos Coreógrafos e usaram esse reconhecimento como trampolim. Em 2025, o vencedor foi Josué Seguro, com “Entre-Corpo” pela Êxitus Cia de Dança.

Há também os mais jovens — crianças e adolescentes para quem a viagem ao Rio para dançar no MoviRio foi a primeira vez que saíram de seu estado natal.

A experiência do Rio de Janeiro como formação

Vir ao MoviRio é também vir ao Rio de Janeiro — e essa dimensão não é irrelevante. O MoviRio utiliza espaços que concentram séculos de história cultural carioca. O Teatro João Caetano — onde tudo começou em 2018 — é o mais antigo teatro em funcionamento do Brasil. O Teatro Carlos Gomes, o Parque Lage (desde 2021), a Casa França-Brasil (2021), o CCBB (2022): cada um desses espaços carrega camadas de história que um bailarino jovem absorve de forma que nenhuma aula de história da arte conseguiria reproduzir.

Para 2026, a sede principal é a Praça Tiradentes — um dos símbolos mais carregados da história brasileira. Dançar ali é uma experiência que marca.

O papel das escolas na viabilização das viagens

Viajar para o MoviRio tem um custo real. Por isso o papel das escolas de dança nesse processo é fundamental. Muitas organizam rifas, festas e eventos para arrecadar fundos para a viagem de seus alunos. Estabelecem parcerias com prefeituras locais. Buscam apoio de empresas regionais. Esse processo de mobilização comunitária tem, por si só, um valor educativo e social imenso.

O MoviRio como ponto de encontro do Brasil que dança

O que os números revelam — mais de 2 mil bailarinos, 522 coreografias, 8 estados — é que o MoviRio deixou de ser um festival regional há muito tempo. Ele é hoje um ponto de encontro do Brasil que dança: um lugar onde o ballet mineiro dialoga com o frevo pernambucano, onde o hip-hop paulistano divide o palco com a capoeira baiana, onde danças de salão do Sul do Brasil se encontram com o samba carioca.

A 9ª edição do MoviRio, com o tema “Cartografias do Corpo”, acontece de 17 a 30 de agosto de 2026 na Praça Tiradentes.

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