Uma homenagem que é também uma despedida
O Salão Guarani do Teatro Carlos Gomes recebeu, de 28 a 31 de agosto de 2025, a exposição "Angel Vianna — Um Olhar Sobre o Movimento" — uma homenagem comovente à artista que mudou os rumos da dança no Brasil. Parte da programação do MOVIRIO Festival 2025 (de 11 a 31 de agosto), a mostra chegou num momento de luto coletivo: Angel Vianna (1928–2024) havia falecido aos 96 anos no ano anterior, deixando um vazio imenso e uma herança imensurável.
A notícia repercutiu na imprensa nacional. O jornalista e colunista do O Globo Alcelmo Góis cobriu a exposição, destacando que Angel "continua sendo referência quando o assunto é sensibilidade corporal e liberdade criativa" — e que trazer seu legado para dentro do MOVIRIO era um gesto cultural necessário e urgente.
O que a exposição reuniu
Com curadoria de Márcia Feijó, diretora da Faculdade Angel Vianna, a mostra reuniu fotografias raras, prêmios, documentos históricos e materiais didáticos que ajudam a traçar a trajetória de uma profissional que fez do corpo um espaço de escuta, saúde e expressão.
Ver esses materiais reunidos era entender por que Angel Vianna foi tão transformadora: não se tratava apenas de técnica de dança, mas de uma filosofia de existência. Cada documento na exposição revelava uma mulher que acreditava — e praticava — que mover-se é uma forma de conhecer-se.
Pioneira da educação somática no Brasil
Angel foi pioneira ao introduzir no Brasil a chamada educação somática — uma abordagem que propõe a escuta do corpo como ferramenta de autoconhecimento, arte e transformação. Seus métodos influenciaram não apenas bailarinos e coreógrafos, mas também terapeutas, professores e pensadores do movimento em todo o país.
A Faculdade Angel Vianna, que ela fundou no Rio de Janeiro, continua sendo a única faculdade de dança da América Latina — um legado institucional que perpetua seu pensamento e sua pedagogia radical.
A exposição no contexto do MOVIRIO
A decisão de incluir a exposição na programação do MOVIRIO 2025 não foi acidental. O festival, que sempre se posicionou como espaço de pensamento além da competição, quis que a edição daquele ano fosse também uma celebração da história da dança brasileira — e Angel Vianna é, sem dúvida, um de seus capítulos mais luminosos.
A mostra integrou a programação do MOVI_Mente — a plataforma intelectual do festival que ocupou o Salão Guarani com painéis, debates e documentários — e atraiu visitantes que vieram especialmente para ver o acervo sobre a mestra. Muitos deixaram depoimentos espontâneos sobre como o trabalho de Angel Vianna havia mudado suas vidas.

