André Adami e a arte de produzir um festival: bastidores da produção executiva do MoviRio
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André Adami e a arte de produzir um festival: bastidores da produção executiva do MoviRio

8 de agosto de 2025·MoviRio Festival
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Descubra como André Adami, produtor executivo do MoviRio, transforma uma visão artística em realidade logística — coordenando 1.091 bailarinos, 2.405 escolas e toda a complexidade de um dos maiores festivais de dança do Brasil.

André Adami e a arte de produzir um festival: bastidores da produção executiva do MoviRio

Existe um tipo de profissional na cultura brasileira que raramente aparece nos holofotes — mas sem o qual nenhum espetáculo, nenhum festival, nenhuma grande celebração artística aconteceria. São os produtores culturais. E no MoviRio Festival de Dança, esse papel é desempenhado por André Adami, responsável pela produção executiva de um dos eventos de dança mais expressivos do Brasil.

Se Carlos Fontinelle é a mente criativa e o coração artístico do festival, André Adami é o arquiteto invisível que transforma visões em realidade. É ele quem garante que os 1.091 bailarinos inscritos na 9ª edição encontrem palco, horário e estrutura para brilhar. É ele quem negocia com parceiros institucionais, coordena equipes, administra orçamentos e resolve os mil imprevistos que surgem quando se organiza um evento dessa escala.

O que significa produzir um festival de dança

Produzir um festival de dança em larga escala é uma tarefa que poucos entendem em toda a sua complexidade. Não se trata apenas de reservar um espaço e contratar técnicos de som e iluminação. No caso do MoviRio, estamos falando de coordenar 522 coreografias de 8 estados brasileiros, gerenciar a participação de 2.405 escolas de dança, garantir a logística de recepção de mais de 600 artistas vindos de fora do Rio de Janeiro — todos com necessidades específicas de hospedagem, deslocamento, ensaio e apresentação.

Cada detalhe importa. A ordem de apresentação dos grupos deve respeitar critérios técnicos e artísticos. Os espaços precisam ser preparados com antecedência suficiente para que bailarinos de diferentes modalidades — do ballet clássico ao samba, do pole dance à capoeira — encontrem condições adequadas para se apresentar. Os parceiros institucionais precisam ser informados, engajados e reconhecidos. A imprensa precisa de material, acesso e apoio.

A Praça Tiradentes e os desafios de um palco histórico

Para a 9ª edição, em 2026, o MoviRio tem como sede principal a Praça Tiradentes, no Centro histórico do Rio de Janeiro. Ocupar um espaço público dessa magnitude é, ao mesmo tempo, uma oportunidade e um desafio de produção imenso. Trata-se de uma das praças mais emblemáticas do Rio — ladeada pelo Teatro João Caetano e pelo Teatro Carlos Gomes, dois dos palcos mais tradicionais da cidade —, com fluxo constante de pedestres, moradores, trabalhadores e turistas.

Nesse contexto, a produção executiva de André Adami precisa dialogar com a prefeitura, com os órgãos de segurança pública, com as concessionárias de serviços urbanos e com os comerciantes locais. Precisa garantir que o festival ocupe o espaço com responsabilidade, sem interromper a dinâmica da região, ao mesmo tempo em que cria uma experiência imersiva e memorável para o público.

Uma história de crescimento contínuo

A trajetória de Adami no festival acompanha a própria trajetória do MoviRio — marcada por crescimento acelerado e adaptação constante. Em 2019, quando o festival alcançou 1 milhão de pessoas em 21 dias de programação ininterrupta, a produção executiva foi testada em seu limite. A parceria com o MetrôRio, por exemplo, exigiu negociações delicadas e planejamento milimétrico para que o festival pudesse acontecer dentro das estações do metrô sem prejudicar a operação cotidiana do sistema.

Em 2020, o contexto foi ainda mais desafiador. Com a pandemia de COVID-19, a equipe de produção precisou reinventar o formato do festival praticamente do zero. O MoviRio foi o único festival de dança do Sudeste a manter atividades presenciais naquele ano — uma decisão que exigiu planejamento rigoroso de protocolos sanitários, adequação de espaços, controle de fluxo de pessoas e comunicação transparente com o público e com os artistas.

Em 2021, a edição de 207 dias — a mais longa da história do festival — foi um desafio logístico sem precedentes. Manter um festival ativo por quase sete meses, em múltiplos espaços espalhados pelo Rio (Parque Lage, Casa França-Brasil, praias, teatros), exigiu da produção executiva uma capacidade de planejamento de longo prazo raramente demandada em eventos culturais brasileiros.

Os parceiros que tornam tudo possível

Uma das responsabilidades centrais de um produtor executivo é cultivar e manter relacionamentos com parceiros institucionais. No MoviRio, essa rede é vasta e estratégica. A FUNARJ, a SECEC/RJ, o IBERESCENA, o Ibermedia, o Pró-Carioca e a Lei Rouanet são alguns dos pilares que sustentam o festival financeira e institucionalmente.

Negociar esses apoios, elaborar os relatórios de prestação de contas, garantir que cada parceiro seja tratado com o respeito e o reconhecimento que merece — tudo isso faz parte do trabalho silencioso e fundamental da produção executiva. Quando Fabiano Carneiro, da FUNARJ, declara que "o MoviRio já faz parte do calendário nacional", ele está reconhecendo não apenas a qualidade artística do festival, mas a seriedade com que é gerido.

O Prêmio NOC: produção a serviço dos novos talentos

Um dos projetos que mais exige atenção da produção executiva é o Prêmio NOC — Novos Coreógrafos, desenvolvido em parceria com a FUNARJ. Com um valor superior a R$ 27.000 distribuído entre os premiados, o NOC é um dos principais incentivos à criação coreográfica nova no Brasil.

Organizar o processo seletivo do NOC, garantir a imparcialidade da avaliação, coordenar as apresentações dos finalistas, comunicar os resultados e celebrar os vencedores com o destaque que merecem — são etapas que demandam atenção detalhada e senso de responsabilidade elevado. Afinal, estamos falando de carreiras em formação, de sonhos que dependem de que esse processo funcione com excelência.

Números que impressionam

A valoração de mídia do MoviRio em 2025 chegou a R$ 3.145.671, resultado de 86 matérias em veículos de todo o Brasil. Esse número não se conquista apenas com bom conteúdo artístico — ele exige que toda a estrutura de produção e comunicação esteja funcionando de forma integrada, que o festival seja bem executado do ponto de vista logístico e que a experiência do público, dos artistas e dos parceiros seja positiva a cada interação.

O crescimento de 266% em indicadores-chave entre edições do festival é também reflexo de uma produção que aprende, que melhora e que se adapta. Cada edição deixa lições que são incorporadas à seguinte — e é o produtor executivo quem mais de perto vive esse processo de aprendizado contínuo.

Bastidores invisíveis, resultados visíveis

Enquanto os bailarinos dançam e o público aplaude, André Adami está trabalhando. Solucionando o imprevisto de última hora, confirmando a chegada de um grupo que viajou 12 horas de ônibus desde o Ceará, conversando com o técnico de som que precisa de mais um equipamento, respondendo ao jornalista que quer confirmar um dado para a matéria de amanhã.

É esse trabalho invisível — feito com dedicação, profissionalismo e amor genuíno pela dança brasileira — que faz o MoviRio acontecer. Que faz com que, quando as luzes se acendam e a música começa, tudo pareça fácil e natural. Porque foi bem produzido.

A 9ª edição do MoviRio, com o tema "Cartografias do Corpo", acontece de 17 a 30 de agosto de 2026, na Praça Tiradentes. O acesso é gratuito. Vá assistir. E quando você aplaudir, lembre-se: existe um produtor que tornou aquele momento possível.

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