207 dias de festival: uma maratona pela cidade
Se 21 dias já pareciam ambiciosos em 2019, a 4ª edição do MoviRio, realizada em 2021, redefiniu completamente o que um festival de dança pode ser em termos de extensão e diversidade de espaços. Com 207 dias de programação espalhados ao longo do ano, o MoviRio deixou de ser um evento pontual para se tornar uma presença constante na vida cultural carioca.
A lógica era simples e revolucionária: se a pandemia ainda impunha restrições de aglomeração, por que não distribuir o festival pelo tempo e pelo espaço, alcançando mais pessoas com mais segurança?
Do Parque Lage às praias: a cidade como palco
A grande novidade de 2021 foi a expansão radical dos venues. O MoviRio saiu dos teatros e foi às praias, aos parques, aos espaços culturais ao ar livre — lugares onde a cidade respira e as pessoas se encontram sem formalidade.
O Parque Lage, um dos cenários mais belos e iconicamente cariocas do Rio, recebeu a Mostra Competitiva em setembro de 2021, reunindo 8.000 pessoas em 2 dias. A diretora do Parque, Yole Mendonça, sintetizou o espírito da parceria: "É um prazer receber o MoviRio".
Já a Casa França-Brasil, espaço cultural neoclássico no Centro Histórico, acolheu a Mostra Nacional Vídeo Dança — com 800 vídeos inscritos, 30 selecionados. E as praias cariocas ganharam versões do festival que levaram a dança para quem nunca pisou num teatro.
Números que contam uma história
A edição de 2021 reuniu 5.000 participantes ao longo de toda a programação. A Mostra no Teatro Imperator, em agosto, reuniu também 5.000 pessoas em 2 dias. Nas redes sociais, o festival explodiu: 1,9 milhão de interações registradas ao longo dos 207 dias.
Esse dado revela um festival que aprendeu a existir em múltiplas dimensões simultaneamente: no palco, na rua, nas telas. A presença digital conquistada em 2020 amadureceu em 2021 para se tornar uma segunda natureza do MoviRio.
A dança nas ruas e a política cultural
A edição de 2021 também aprofundou o compromisso do MoviRio com a diversidade de linguagens. Entre os destaques, a presença da dança do samba e da dança afro ganhou ainda mais visibilidade, numa curadoria que refletia a riqueza cultural do Brasil. Laíza Bastos, da Associação de Passistas do RJ, reconheceu esse gesto: "Vocês já abrem espaço para dança do samba e dança afro".
A edição ainda contou com uma Audição Nacional que recebeu mais de 500 vídeos de 8 estados, selecionando 15 grupos; o Álbum Visual com 7 artistas em patrimônios cariocas; e a 1ª Mostra Pole Dance do festival. O NOC, reformulado, passou a contar com filmação profissional.
2021, o ano da reinvenção
A 4ª edição do MoviRio foi, em muitos sentidos, a mais inventiva da história do festival. Constrangida pelas limitações da pandemia, a equipe de Carlos Fontinelle não reduziu o festival — reinventou-o. O resultado foi uma edição que tocou mais espaços, mais narrativas e mais vidas do que qualquer formato convencional poderia alcançar.
Cento e oitenta e seis dias acima da média habitual. Muito acima.
