Quando um festival transborda para toda a cidade
Se a estreia em 2018 foi promissora, 2019 foi o ano em que o MoviRio revelou ao Brasil — e ao continente — sua verdadeira escala. A 2ª edição do festival se estendeu por 21 dias, multiplicou os espaços de apresentação e estabeleceu uma parceria que mudaria para sempre a lógica de distribuição cultural no Rio de Janeiro: a aliança com o MetrôRio e a Digital Trens.
O resultado? Um alcance digital de mais de 1,1 milhão de pessoas — número que, na época, posicionou o MoviRio como um dos maiores festivais de dança da América Latina. O público presencial foi de 980 participantes, com 31 grupos no palco.
A parceria que colocou a dança no metrô
A parceria com MetrôRio e Digital Trens foi mais do que uma estratégia de comunicação — foi uma declaração de princípios. Ao levar a divulgação e parte da experiência do festival para dentro das estações de metrô, o MoviRio atingiu um público que normalmente não circula pelos teatros e centros culturais: trabalhadores, estudantes, famílias de diferentes bairros e realidades socioeconômicas.
A dança foi ao encontro das pessoas, e não o contrário. Esse movimento — de sair da bolha dos espaços culturais consagrados e invadir o cotidiano da cidade — é uma das grandes marcas filosóficas do festival desde então.
21 dias que pareceram curtos demais
Uma programação de 21 dias é uma maratona para qualquer produção cultural. Para o MoviRio 2019, foi quase pouco. A diversidade de modalidades apresentadas ao longo das três semanas cobriu desde o ballet clássico mais rigoroso até as danças urbanas mais contemporâneas, passando por samba, dança afro, jazz, danças folclóricas e muito mais.
A Praça Tiradentes seguiu como coração do festival, com o Palco Rio acolhendo apresentações ao ar livre e gratuitas diariamente. O festival também ocupou teatros históricos como o João Caetano e o Carlos Gomes, além do Teatro Cacilda Becker, garantindo que as diferentes linguagens da dança tivessem os espaços adequados para brilhar.
O impacto de um número: 1,1 milhão
Quando o alcance digital de 1,1 milhão de pessoas foi contabilizado, ele representou uma virada de percepção. O MoviRio deixou de ser um festival de nicho — importante, qualificado, mas restrito — para se tornar um evento de massa com qualidade artística.
Essa combinação raramente aparece no cenário cultural brasileiro. Festivais de grande alcance popular muitas vezes sacrificam curadoria; festivais de alta curadoria costumam falar para públicos pequenos. O MoviRio 2019 demonstrou que os dois não são incompatíveis — são, na verdade, complementares.
O legado de 2019
A 2ª edição do MoviRio é, até hoje, uma referência quando se fala em acesso democrático à cultura de dança no Brasil. O modelo que combinou espaços tradicionais de teatro com plataformas de alcance popular — como o metrô e o espaço público aberto — se tornaria um DNA que o festival carregaria em todas as edições seguintes.
Mais de 1,1 milhão de pessoas alcançadas digitalmente. Vinte e um dias. Uma ideia que a Praça Tiradentes começou a germinar e que, em 2019, floresceu para a cidade inteira.
