Como o MoviRio nasceu na Praça Tiradentes e transformou o Centro do Rio
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Como o MoviRio nasceu na Praça Tiradentes e transformou o Centro do Rio

1 de agosto de 2025·MoviRio Festival
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Em 2018, o MoviRio Festival de Dança do Rio de Janeiro deu seus primeiros passos no Teatro João Caetano, reunindo 5.000 pessoas ao redor de uma ideia simples: devolver a dança ao coração da cidade. Oito anos depois, essa semente brotada na Praça Tiradentes se transformou em um dos maiores festivais de dança do Brasil. Conheça a origem e a visão que deu vida ao MoviRio.

A semente plantada no coração histórico do Rio

Há algo de simbólico em escolher a Praça Tiradentes como berço de um festival de dança. Ali, no Centro Histórico do Rio de Janeiro, ergue-se o Teatro João Caetano — o mais antigo teatro em funcionamento do Brasil —, cercado por uma praça que viu desfilar gerações de artistas, políticos e sonhadores. Foi nesse endereço carregado de memória que, em 2018, Carlos Fontinelle e a Fontinelle Criações Artísticas deram vida à primeira edição do MoviRio Festival de Dança do Rio de Janeiro.

A proposta era ao mesmo tempo simples e ambiciosa: criar um espaço plural, democrático e de alto nível para a dança brasileira, com acesso gratuito ao público e estrutura profissional para os artistas. O apoio da SECEC/RJ desde o início foi fundamental para transformar esse sonho em realidade.

A estreia que anunciou um festival maior do que si mesmo

A 1ª edição durou entre quatro e cinco dias e reuniu aproximadamente 5.000 pessoas nas arquibancadas e calçadas ao redor do Teatro João Caetano. Para um festival de estreia, o número era mais do que expressivo — era um sinal claro de que o Rio de Janeiro estava com fome de dança nos seus espaços históricos.

O evento apresentou uma diversidade de modalidades que seria marca registrada do festival nos anos seguintes: ballet clássico, dança contemporânea, jazz, danças urbanas, samba, dança afro e muito mais. A curadoria de Carlos Fontinelle estabeleceu desde o princípio que o MoviRio não seria um festival para apenas um estilo ou uma elite — seria um festival do povo, para todos os corpos e todas as danças.

O Centro como protagonista

Escolher o Centro Histórico do Rio não foi acidente. Enquanto muitos eventos culturais gravitam em direção à Zona Sul ou a bairros já consagrados como polo cultural, o MoviRio apostou num território em processo de reinvenção. A Praça Tiradentes e seu entorno concentram uma energia única: teatros centenários, museus, fluxo intenso de cariocas de todos os bairros e uma história cultural que remonta ao século XVIII.

A aposta se revelou certeira. O festival não apenas se beneficiou da infraestrutura cultural já existente — ele contribuiu para reativar o imaginário do Centro como espaço vivo de arte e encontro. Bares, restaurantes e comerciantes da região rapidamente perceberam o impacto do fluxo de público que o MoviRio atraía.

Uma identidade construída tijolo a tijolo

Do Teatro João Caetano, o festival foi crescendo em coragem e escala. Nos anos seguintes, o MoviRio ocupou o Teatro Carlos Gomes, o Parque Lage, a Casa França-Brasil, o CCBB, o EXPOMAG e praias da cidade. Mas a Praça Tiradentes permaneceu como endereço de alma do festival — é lá que fica o Palco Rio, o palco ao ar livre que se tornou um dos símbolos mais democráticos do evento.

A equipe foi crescendo junto. Para a 9ª edição, em 2026, Carlos Fontinelle conta com André Adami, Diego Endrigo, Gustavo Gelmini e Adriana Korã ao seu lado, num time que reflete a diversidade e o profissionalismo que o festival exige.

Oito anos, uma transformação

De 5.000 pessoas em 2018 a uma valoração de mídia de R$ 3.145.671 em 2025, com 86 matérias publicadas em veículos como O Globo, RJTV, Veja Rio e EBC — o crescimento do MoviRio é uma das histórias mais bonitas da cultura carioca recente. Tudo começou em uma praça histórica, com um homem que acreditava que a dança pertencia às ruas.

E a Praça Tiradentes concordou.

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