Carlinhos de Jesus no MoviRio: o encontro entre um mestre da gafieira e o festival
Se existe um homem no Brasil que personifica a elegância, a ginga e a sabedoria do samba de gafieira, esse homem é Carlinhos de Jesus. Bailarino, coreógrafo, professor e embaixador da dança brasileira no mundo, Carlinhos foi homenageado no MoviRio Festival 2025 em 22 de agosto — e esse encontro tem um significado especial para todos que amam a dança nacional.
Afinal, estamos falando de um dos maiores nomes da dança brasileira sendo celebrado num dos maiores festivais de dança do país. Um encontro natural entre duas grandezas.
O samba de gafieira e o MoviRio
O MoviRio Festival sempre abriu espaço para o samba — não como curiosidade folclórica, mas como modalidade artística de pleno direito. Isso importa. Em décadas de história, o samba precisou lutar para ser levado a sério no ambiente dos festivais de dança, frequentemente dominados pelo ballet europeu e pela dança contemporânea.
Laíza Bastos, da Associação de Passistas do Rio de Janeiro, reconheceu esse gesto: "Vocês já abrem espaço para dança do samba e dança afro". É um reconhecimento simples, mas que carrega o peso de anos de marginalização de danças que são, na essência, mais brasileiras do que qualquer importação europeia.
Carlinhos de Jesus entende isso mais do que ninguém. Ele passou décadas transformando a gafieira — originalmente um salão popular, território do povo —, elevando-a a um nível técnico comparável a qualquer dança de salão europeia, sem jamais perder a alma e o suingue que a tornam única. Seu trabalho é, em si mesmo, uma declaração: a dança brasileira não precisa pedir permissão.
Um festival à altura da grandeza nacional
O MoviRio 2025 foi a edição com maior impacto de mídia da história do festival: 86 matérias em 66 veículos de todo o Brasil, incluindo O Globo, Veja Rio, G1, RJTV 1ª Edição e EBC/Agência Brasil.
O festival também trouxe o Balé Folclórico da Bahia como grande atração convidada — grupo que, assim como Carlinhos de Jesus, dedicou décadas a levar a dança afro-brasileira ao mundo.
A Praça Tiradentes como território do samba
Há algo de poético em celebrar o samba na Praça Tiradentes. O Centro Histórico do Rio é território do samba desde sempre — foi por essas ruas que os blocos circularam, que as gafieiras prosperaram, que a cultura negra carioca se afirmou contra todas as tentativas de apagamento.
O MoviRio, ao instalar seu Palco Rio na praça e oferecer programação gratuita e aberta, reinventa essa tradição: o samba volta ao espaço público, não como nostalgia, mas como arte viva e presente.
O que vem por aí
A 9ª edição do MoviRio, marcada para 17 a 30 de agosto de 2026, já conta com mais de 2 mil bailarinos inscritos de 8 estados e 522 coreografias. O festival mantém o Prêmio NOC para novos coreógrafos. A homenagem a Carlinhos de Jesus em 2025 é um selo de qualidade que nenhum press release poderia comprar — e uma promessa de que o MoviRio continuará sendo a casa de todas as danças do Brasil.
