Lázaro Ramos no MoviRio: representação, dança e cultura negra num mesmo palco
Quando Lázaro Ramos apareceu espontaneamente entre o público do MoviRio Festival 2025, a cena teve um peso simbólico que vai muito além da visita de um ator famoso. Lázaro é baiano, é negro, é um dos artistas mais engajados com a cultura afro-brasileira em toda a sua trajetória. E o MoviRio, coincidência ou não, é um festival que há anos reserva lugar de honra para a dança afro, o samba e as expressões culturais que são o coração da identidade negra brasileira.
A edição de 2025 do festival foi especialmente significativa nesse aspecto. O var(--color-asfalto)]">Balé Folclórico da Bahia — grupo com 37 anos de história, formado majoritariamente por artistas negros e dedicado às tradições afro-brasileiras, com turnê por mais de 30 países — foi a grande atração convidada. Como noticiou a [EBC/Agência Brasil, o grupo escolheu o MoviRio para dar início à sua turnê pelo Rio de Janeiro. Uma declaração de prestígio para o festival.
Dança como ato político e cultural
A presença de Lázaro Ramos num festival como o MoviRio é também uma declaração. A dança afro não é entretenimento — é memória, resistência e celebração. Cada passo que remete ao candomblé, cada movimento que evoca os orixás, cada coreografia inspirada nos povos do continente africano é um ato de afirmação identitária.
Laíza Bastos, da Associação de Passistas do Rio de Janeiro, resumiu bem o que o MoviRio representa para essa comunidade: "Vocês já abrem espaço para dança do samba e dança afro". Essa abertura não é pequena coisa. Numa indústria cultural que historicamente colocou o ballet europeu no topo de uma hierarquia equivocada, um festival que posiciona o samba e a dança afro lado a lado com qualquer outra modalidade é um gesto político de enorme relevância.
O Centro Histórico como palco da diáspora
Não por acaso o MoviRio tem sua sede na Praça Tiradentes, no Centro Histórico do Rio. Esse território guarda séculos de história afro-brasileira — foi por essas ruas que passaram os blocos, as escolas de samba, as casas de candomblé que moldaram a cidade. Transformar esse espaço num palco de dança a céu aberto, gratuito e popular, é devolver à Praça sua função original: ser o ponto de encontro da cidade inteira.
O MoviRio 2025, realizado ao longo de 21 dias, movimentou a mídia nacional e gerou uma valoração de R$ 3.145.671 em 86 matérias — crescimento de 266% em relação à edição de 2022. Veículos como O Globo, G1, Veja Rio e a RJTV 1ª Edição cobriram o festival, levando as danças afro-brasileiras para os lares de milhões de espectadores.
Representação que inspira
Ver Lázaro Ramos — ator, diretor, produtor e voz ativa na defesa da cultura negra — optando por passar sua tarde no MoviRio 2025 envia uma mensagem clara para os jovens bailarinos negros que sobem ao palco do festival: a arte de vocês importa, a história de vocês importa, o corpo de vocês é arte.
O MoviRio, que em 2026 chega à sua 9ª edição (17 a 30 de agosto, com 1.091 bailarinos inscritos de 8 estados), continua sendo um dos poucos festivais de dança no Brasil que genuinamente abraça toda a diversidade de formas de movimento que este país produziu. É um festival que Lázaro Ramos — e qualquer pessoa comprometida com a cultura brasileira — não poderia deixar de frequentar.
