Marieta Severo, o MoviRio e a tradição do teatro carioca que abraça a dança
Existe uma cumplicidade histórica entre o teatro e a dança no Rio de Janeiro. Os dois se encontraram em palcos barrocos, dividiram o espaço nas companhias imperiais, cresceram juntos nas primeiras décadas do século XX e nunca se separaram de verdade. É por isso que ver Marieta Severo — um dos maiores nomes do teatro e da televisão brasileira — presente no MoviRio Festival 2025 parece tão natural quanto inevitável.
A presença da atriz foi espontânea, como a de tantos outros artistas e celebridades que o festival atrai pela qualidade de sua programação. Marieta Severo, carioca de alma, conhece bem o valor do que acontece na Praça Tiradentes quando o MoviRio toma conta do Centro Histórico.
A Praça que é palco de todos
Não existe lugar mais adequado para esse encontro entre teatro e dança do que a Praça Tiradentes. Ali está o Teatro João Caetano, o mais antigo do Brasil em funcionamento, um dos palcos históricos do MoviRio. Ali está o Teatro Carlos Gomes, outra instituição da cultura carioca. E ali está o Palco Rio — o palco ao ar livre do festival, instalado no centro da praça, onde bailarinos de todo o Brasil se apresentam gratuitamente para qualquer pessoa que passe.
Marieta Severo sabe, mais do que ninguém, o que significa um palco histórico. Ela construiu sua carreira nos maiores teatros do país, conhece a tradição e respeita o peso simbólico de certos espaços. Ver o MoviRio ocupar a Praça Tiradentes com tamanha energia deve ter ressoado fundo em alguém com essa trajetória.
O festival que cresceu junto com o Rio
O MoviRio não surgiu pronto. Começou em 2018, no Teatro João Caetano, com cerca de 5.000 pessoas e apoio da SECEC/RJ. Em 2019, cresceu para 21 dias de programação e registrou mais de 1 milhão de pessoas — sendo chamado de maior festival de dança da América Latina. Passou pela pandemia de 2020 como o único festival do Sudeste com parte presencial. Expandiu para o Parque Lage, a Casa França-Brasil, o CCBB, o EXPOMAG.
Em 2025 — a 8ª edição —, o festival registrou R$ 3.145.671 em valoração de mídia, com 86 matérias em veículos como O Globo, Veja Rio, G1, RJTV 1ª Edição (Rede Globo) e EBC/Agência Brasil. Como afirmou Taydara Araujo, superintendente de artes da SECEC/RJ: "É indescritível, é inacreditável".
Teatro e dança: irmãos de palco
Marieta Severo passou décadas explorando os limites da expressão corporal no teatro. Ela sabe que um ator que não controla o próprio corpo é um instrumento pela metade. A dança é, nesse sentido, parente próxima do teatro — as duas artes compartilham a mesma matéria-prima: o corpo humano em movimento no espaço.
O MoviRio compreende essa relação. Ao incluir modalidades tão diversas quanto ballet clássico, dança contemporânea, dança afro, samba, jazz e street dance, o festival constrói uma conversa entre linguagens que, na superfície, parecem diferentes, mas que no fundo falam a mesma língua — a linguagem do movimento, da emoção, da presença.
Um legado que se consolida
A 9ª edição do MoviRio está marcada para 17 a 30 de agosto de 2026, com 522 coreografias inscritas, 1.091 bailarinos de 8 estados e mais de R$ 27.000 em prêmios para novos coreógrafos. A presença espontânea de Marieta Severo em 2025 é mais um capítulo de uma história que o Rio constrói com muita dança e muito amor.
